DE TANTO ANDAR NA NOITE
(introdução falada) Estava a babá tentando dar de comer ao garotinho rico, que empanturrado de guloseimas, não queria comer seu substancioso jantar. Quando este ouviu o bater na porta e correu para atender. Só assim escaparia de ter que comer aquela comida horrível. Ao abrir a porta um menino pobre falou:
(cantando)
Eu sou o menino pobre
Tu és o menino rico
Dá-me um pouco de pão
Vou te contar minha estória
Se sou de um corpo feio
Não é razão pra espantares
Sou da mesma carne
Deste teu corpo tão guapo
De tanto andar, na noite
E de ver o, ruim
Eu me confundo, um pouco
E penso que é, assim
Estou desesperado
Já não sei que é que eu faça de mim
Pra travesseiro eu tenho
Um tijolo danado de ruim!
Emilio Sergio
domingo, 21 de dezembro de 2008
O TEMPO NÃO PASSA
Os segundos se atropelam, não passam
Um atravancando o outro
É como se eles teimassem em não seguir em frente
Mas finalmente completam o minuto
E os minutos?
Ah, esses então nem se fala
São mais teimosos ainda
É como se eles fizessem um complô contra mim
Duram horas!
E as horas?
Levam dias, semanas, meses!
E as semanas?
Duram uma eternidade!
E um mês?
O que pode durar mais que a eternidade?
Só mesmo um mês sem você.
Emilio Sergio
Os segundos se atropelam, não passam
Um atravancando o outro
É como se eles teimassem em não seguir em frente
Mas finalmente completam o minuto
E os minutos?
Ah, esses então nem se fala
São mais teimosos ainda
É como se eles fizessem um complô contra mim
Duram horas!
E as horas?
Levam dias, semanas, meses!
E as semanas?
Duram uma eternidade!
E um mês?
O que pode durar mais que a eternidade?
Só mesmo um mês sem você.
Emilio Sergio
PECHINCHA
Vai à feira João
Pechinchar preço
Qual na televisão
Seu amigo Pedro
Fará o mesmo
Em uma grande Organização
João Na feira
Clama e reclama
E o povo proclama
Que prendam o pobre feirante
Vai Pedro ao caixa
Põe-se a bradar
Que preços altos!
O dono e o povo
Muito insultados
Prendem o arruaceiro
João reconhece
Que o feirante não tem culpa
Logo se arrepende
Pois causou prisão injusta
Vai a delegacia
Arrependido
Retirar queixa
Em lá chegando
Triste surpresa espera João
Que não consegue crer no que vê
Na mesma cela
Preso assustado
Estava o feirante
E também o seu amigo Pedro
Belém, 1979
Emilio Sergio
Vai à feira João
Pechinchar preço
Qual na televisão
Seu amigo Pedro
Fará o mesmo
Em uma grande Organização
João Na feira
Clama e reclama
E o povo proclama
Que prendam o pobre feirante
Vai Pedro ao caixa
Põe-se a bradar
Que preços altos!
O dono e o povo
Muito insultados
Prendem o arruaceiro
João reconhece
Que o feirante não tem culpa
Logo se arrepende
Pois causou prisão injusta
Vai a delegacia
Arrependido
Retirar queixa
Em lá chegando
Triste surpresa espera João
Que não consegue crer no que vê
Na mesma cela
Preso assustado
Estava o feirante
E também o seu amigo Pedro
Belém, 1979
Emilio Sergio
ASSOBIAR E CHUPAR CANA
Ou se assobia ou se chupa cana
Ou se usa o anel na mão direita ou na esquerda
Ou não se usa anel algum
Ou se pula o carnaval na Bahia ou se vai mesmo é desfilar na Portela no Rio
Se você está nas montanhas bem que poderia ter ido à praia
Ou se ganha dinheiro em São Paulo ou se farreia nas "Caricas"
Ou se tem o dom da ubiqüidade ou temos que nos contentar com estar em um lugar de cada vez
Ou se cresce como gente ou continua-se estagnado qual um inseto
Quanto a optar entre o dinheiro e o doce
Prefiro ganhar o primeiro para poder comer o segundo e ainda ficar com o troco
Quando leio Cecília Meireles quero logo poetar
Não sei se faço um poema ou
Se te convido pra tomar uma coco e perambular
Emilio Sergio
Ou se assobia ou se chupa cana
Ou se usa o anel na mão direita ou na esquerda
Ou não se usa anel algum
Ou se pula o carnaval na Bahia ou se vai mesmo é desfilar na Portela no Rio
Se você está nas montanhas bem que poderia ter ido à praia
Ou se ganha dinheiro em São Paulo ou se farreia nas "Caricas"
Ou se tem o dom da ubiqüidade ou temos que nos contentar com estar em um lugar de cada vez
Ou se cresce como gente ou continua-se estagnado qual um inseto
Quanto a optar entre o dinheiro e o doce
Prefiro ganhar o primeiro para poder comer o segundo e ainda ficar com o troco
Quando leio Cecília Meireles quero logo poetar
Não sei se faço um poema ou
Se te convido pra tomar uma coco e perambular
Emilio Sergio
DE TANTO ANDAR NA NOITE
(introdução falada) Estava a babá tentando dar de comer ao garotinho rico, que empanturrado de guloseimas, não queria comer seu substancioso jantar. Quando este ouviu o bater na porta e correu para atender. Só assim escaparia de ter que comer aquela comida horrível. Ao abrir a porta um menino pobre falou: (cantando)
Eu sou o menino pobre
Tu és o menino rico
Dá-me um pouco de pão que eu
Vou te contar minha estória
Se sou de um corpo feio
Não é razão pra espantares
Sou da mesma carne
Deste teu corpo tão guapo
De tanto andar, na noite
E de ver, o ruim
Eu me confundo, um pouco
E penso que é, assim
Estou desesperado
Já não sei que é que eu faça de mim
Pra travesseiro eu tenho
Um tijolo danado de ruim!
Belém, outubro de 1984
Emilio Sergio
(introdução falada) Estava a babá tentando dar de comer ao garotinho rico, que empanturrado de guloseimas, não queria comer seu substancioso jantar. Quando este ouviu o bater na porta e correu para atender. Só assim escaparia de ter que comer aquela comida horrível. Ao abrir a porta um menino pobre falou: (cantando)
Eu sou o menino pobre
Tu és o menino rico
Dá-me um pouco de pão que eu
Vou te contar minha estória
Se sou de um corpo feio
Não é razão pra espantares
Sou da mesma carne
Deste teu corpo tão guapo
De tanto andar, na noite
E de ver, o ruim
Eu me confundo, um pouco
E penso que é, assim
Estou desesperado
Já não sei que é que eu faça de mim
Pra travesseiro eu tenho
Um tijolo danado de ruim!
Belém, outubro de 1984
Emilio Sergio
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
SAL
Mil novecentos e setenta e oito
Chega julho e trás
O sonho outra vez
Tem turma da esquina
Peito pro mundo
De frente pro ar
Tem garrafão de vinho
Tem muito "cáqui"
E quás, quás, quás quás
Tem bolação de "coisa"
Coisa que corre
Que morre e que faz
Tem iodo no ar
Tem sal no mar
Tem água de fonte clarinha
Tem o marulhar das ondas
Que quebram longe
Que s'ouve e acalma
Tem praia do Atalaia
Tem duna branca
Em noite de lua
Tem maré de águas grandes
Poente lindo
Que brilha no mar
Emilio Sergio carepa
Mil novecentos e setenta e oito
Chega julho e trás
O sonho outra vez
Tem turma da esquina
Peito pro mundo
De frente pro ar
Tem garrafão de vinho
Tem muito "cáqui"
E quás, quás, quás quás
Tem bolação de "coisa"
Coisa que corre
Que morre e que faz
Tem iodo no ar
Tem sal no mar
Tem água de fonte clarinha
Tem o marulhar das ondas
Que quebram longe
Que s'ouve e acalma
Tem praia do Atalaia
Tem duna branca
Em noite de lua
Tem maré de águas grandes
Poente lindo
Que brilha no mar
Emilio Sergio carepa
DEIXA FREVAR
Eu quero chegar
Não me importa onde
Eu quero fazer
Não sei bem o quê
Eu tenho um fim
Não me importa os meios
Eu tenho um princípio Eu esqueci já
Não vá me dizer
Que não lhe dei guarida
Nessa tão sofrida
E tão curtida dor
Se essa dor
Quiser passar no carnaval
É você se espalhar
E sair por aí
É viver e cantar
Nem pensar se dar mal
Tira o dedo da sopa
Vai despelar
Segura o pincel
Porque eu vou tirar aescada
E um saxofone dirá
Deixa frevar!
Emilio Carepa .
Eu quero chegar
Não me importa onde
Eu quero fazer
Não sei bem o quê
Eu tenho um fim
Não me importa os meios
Eu tenho um princípio Eu esqueci já
Não vá me dizer
Que não lhe dei guarida
Nessa tão sofrida
E tão curtida dor
Se essa dor
Quiser passar no carnaval
É você se espalhar
E sair por aí
É viver e cantar
Nem pensar se dar mal
Tira o dedo da sopa
Vai despelar
Segura o pincel
Porque eu vou tirar aescada
E um saxofone dirá
Deixa frevar!
Emilio Carepa .
MANGUEIROSA
Olha que sublime coincidência
Dois milagres num só dia
O sol de um vermelho lindo, vivo
Morrendo por trás das nuvens
E a lua cheia a renascer o dia em noite
Por trás de um cenário
Que é o mais lindo ponto
Dessa Guajará
Casas com touceiras
De açaí pelo jardim
Criando cena original
Quanta tanta coisa
Que acontece
Nessa mangueirosamente bela
Belém do Pará
Quando era menino
Não tinha edifício
Uns dois, três ou quatro
Mas tudo mudou
Povo vai nascendo
A cidade cresce
Temos novos bairros
Como o do Barreiro
Emilio Sergio
Olha que sublime coincidência
Dois milagres num só dia
O sol de um vermelho lindo, vivo
Morrendo por trás das nuvens
E a lua cheia a renascer o dia em noite
Por trás de um cenário
Que é o mais lindo ponto
Dessa Guajará
Casas com touceiras
De açaí pelo jardim
Criando cena original
Quanta tanta coisa
Que acontece
Nessa mangueirosamente bela
Belém do Pará
Quando era menino
Não tinha edifício
Uns dois, três ou quatro
Mas tudo mudou
Povo vai nascendo
A cidade cresce
Temos novos bairros
Como o do Barreiro
Emilio Sergio
CAMINHANDO
Muda o mundo
Mudam as criaturas
Mudamos nós
Caminhamos sem estar cegos
Observamos nossas experiências
Descartamos o que não nos apraz
Mantemos o que nos engrandece
Damos um passo pra trás, esporádico
Mas dois à frente logo a seguir
Às vezes uma corridinha, mas volta o passo
Outras, paradas estratégicas para o fôlego
Caminhamos, ininterruptamente caminhamos
Vamos, continuamos mais um pouco
Andando, nunca chegamos
Pois se o fizermosParamos, não mais estamos
Emilio Sergio
Muda o mundo
Mudam as criaturas
Mudamos nós
Caminhamos sem estar cegos
Observamos nossas experiências
Descartamos o que não nos apraz
Mantemos o que nos engrandece
Damos um passo pra trás, esporádico
Mas dois à frente logo a seguir
Às vezes uma corridinha, mas volta o passo
Outras, paradas estratégicas para o fôlego
Caminhamos, ininterruptamente caminhamos
Vamos, continuamos mais um pouco
Andando, nunca chegamos
Pois se o fizermosParamos, não mais estamos
Emilio Sergio
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